Escolas capixabas desfilam endividadas em 2012
Karolina Lopes (redacao@eshoje.com.br)
A crise financeira que levou a Escola de Samba Unidos de Jucutuquara a anunciar um possível desligamento do desfile de 2012 levantou uma questão: como anda a situação financeira das escolas de samba do Espírito Santo? A resposta: nada bem. A maioria, senão todas, desfilarão endividadas. Inclusive a Jucutuquara que, após pressão da comunidade, recuou na decisão, mas alertou que a Coruja não fará uma apresentação luxuosa.
As agremiações do grupo especial anunciam que passam por grandes dificuldades para arrecadar recursos e pagar dívidas de carnavais anteriores. As 10 escolas do grupo especial, que desfilam nos dias 10 e 11 de fevereiro, têm em comum diversos problemas financeiros para entrar na avenida, mas dispõe de orçamentos bem diferentes.
A Pega no Samba vai realizar um desfile de R$ 310 mil, enquanto a Mocidade Unida da Glória (MUG) prepara um espetáculo de R$ 1 milhão. Mesmo assim, o presidente a MUG, Robertinho Ribeiro, destaca que a preparação do Carnaval de 2012 tem sido muito difícil. “Temos muitas dívidas acumuladas, mas carnaval é para quem tem coragem, ousadia e amor. Além disso, temos o apoio incondicional da comunidade e isso é mais importante do que qualquer crise financeira. O carnaval é do povo!”, ressalta.
Pelo menos cinco escolas do grupo especial confirmaram que vão realizar uma apresentação menor do que o de 2011. Para Vicente Paulo dos Santos, o Tim, presidente da Novo Império, o carnaval de Vitória cresce, mas os investimentos não acompanham. Segundo ele, a iniciativa privada ainda não confia na credibilidade do carnaval capixaba.
O presidente da Pega no Samba, Valdir Santos, ressalta o valor social do evento. “O carnaval, além de atrair turistas ao Estado, resgata vidas em comunidades carentes da Grande Vitória. Muitos meninos, que poderiam estar ociosos, estão em barracões realizando atividades. Isso devia ser mais valorizado”, afirma.
Além da Unidos de Jucutuquara, que vai desfilar com um orçamento 45% menor do que em 2011, com o corte de dois carros alegóricos, 30 integrantes da bateria, e cinco alas, outra grande escola passa por dificuldades até para realizar os ensaios. A Unidos de Barreiros não conseguiu quadra para os ensaios e, por isso, não está conseguindo realizar eventos de arrecadação de verba para o desfile.
“Nossos ensaios estão sendo realizados nas ruas da comunidade. Nós já temos dívidas para o carnaval de 2013 e não temos condição de levar para a avenida um desfile do tamanho do que apresentamos em 2011”, afirma o presidente da escola, Marcus Matoso.
Uma das alternativas das agremiações é apostar na criatividade para fazer bonito sem gastar muito. O presidente da Independente de São Torquato, Carlos Alberto Nascimento, o Betinho, afirma que a saída é trabalhar com os pés no chão. “Nem todo time pode contratar um Messi. Nossa escola vai subir devagar e realizar um desfile compatível ao orçamento”, afirma.
Foliões não desanimam
Apesar de todos os problemas, os foliões apaixonados pelo carnaval não desanimam. A estudante Silvana Reis, 20 anos, diz que a decisão da Jucutuquara voltar ao Carnaval de 2012 reforça a tradição e a esperança do samba capixaba. “Mesmo que as escolas façam um desfile mais simples, o carnaval vai continuar. O amor e a beleza dos desfiles não dependem totalmente de dinheiro e eu vou estar lá assistindo tudo!”, garante.
A administradora Mariana Co, 28 anos, também aposta no sucesso do evento. “As escolas têm que correr atrás e vão ter o apoio dos capixabas. Eu faço questão de acompanhar os desfiles mesmo sabendo do risco de não ser tão grande como foi o último carnaval”, afirma.
O folião Daniel Costa, 24 anos, confia na história do carnaval. “ O carnaval capixaba já foi muito menor e superou diversos problemas. Tenho certeza que é só mais uma crise”.
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